IAPI
era uma vila de muitos carnavalescos, alguns dedicados a montagem
do carnaval de rua, “O Coreto e Pista de desfiles dos Blocos
da cidade” outros componentes e até diretores dos mesmos.
Lá pelos anos 60, surgiu o bloco mirim Milionários do
Samba, que logo se desfez. Então a gurizada criou um bloco
humorístico que reunia o pessoal que morava em torno da figueira.
A intenção do grupo era a de simplesmente alegrar e
interter o povo que ficava aguardando a chegada dos blocos e tribos
tradicionais da cidade nos seus coretos, que se situava na frente
do campo do Allin Pedro (Av. dos Industriários). Após
dois ou três anos surgiu o bloco humorístico As Tesouras,
que era comandado pela turma do Colégio Gonçalves Dias.
Esse bloco conseguiu reunir em torno de si a vila toda, fazendo com
que não houvesse mais as turmas disso ou daquilo.
Com a chegada da Ditadura os blocos humorísticos foram proibidos
de desfilar, motivo: os mesmos faziam sátiras aos políticos
da época e isso era proibido, sem contar a discriminação
com a presença dos travestis que faziam um sucesso muito grande
nas avenidas.
Então nos anos 70, muitos de nós moradores da Vila nos
espalhamos pelas já então Escolas de Samba da cidade.
Nos meados dos anos 70 surgiram as famosas Bandas.
O pessoal da Vila achou por bem retornarem com as Tesouras, desta
vez em forma de Banda. Porque estas Bandas tinham como características
reunir quem gostava de Carnaval, não importava onde morava,
que Escola saia, se tinha fantasia ou não, o negócio
era se divertir e divertir quem assistia a passagem das mesmas pelas
ruas e bairros da cidade, “Que tempo bom”.
Após o carnaval de 79, Airton Guedes conhecido na cidade como
“Pingo”, resolveu transformar a querida banda em uma Escola
de Samba, usando os seguintes argumentos: A Vila era famosa na cidade
por seus grandes carnavais, entre outros motivos, e não tinha
uma representação forte como uma escola de samba. Para
fortalecer essa idéia o Pingo foi buscar o aval de muitos amigos
e colegas de times de futebol, de bar e de associações
existentes no IAPI. Com esse aval garantido, em 21 de Março
de 1980, ele reuniu na AMOVI (Associação dos Moradores
da Vila do IAPI) pouco mais de quarenta pessoas, as quais representavam
as diversas correntes existentes no bairro. Saindo desta reunião
a fundação da Associação Recreativa e
Carnavalesca Unidos da Vila do IAPI.
Nota: O nome da entidade não leva o Escola de Samba, porque
para muitos dos participantes, só uma “Escola de Samba”
era pouco, queriam uma associação onde se praticasse
esportes, lazeres, se possível educação e assistência
social, como dentistas, médicos, oficina de artes e etc.
As cores da associação seriam em verde e branco.
Os participantes desta reunião de fundação foram
os seguintes:
Ademir Conceição.
Adilson Guedes.
Adroaldo...
Airton Guedes.
Airton Vargas e Silva.
Amilton dos Santos.
Bebeto Branco.
Bel. Elói Guimarães.
Bentinho...
Carlos dos Santos Oliveira.
Carlos Heitor Guedes.
Cláudio Luiz Rodrigues Rabelo.
Clovis Covinha.
Dr. Fernando Rodrigues.
Edson Guedes.
Hélio Dias.
Herculano Rodrigues.
Ivo de Souza.
Jarbas Guedes de Oliveira.
João Maria de Lima.
Joel Angelos.
Jorge Ramos.
José Niwton Duarte Ferreira.
Lea de Souza.
Luiz Gonzaga.
Mario Mattos.
Nelson França.
Osvaldo Vadola.
Paulo Alves.
Paulo Heitor Rodrigues.
Pepe da Lotação.
Roberto Machado.
Sadi...
Saraiva...
Sarara Bebeto.
Sergio Kaminski.
Shirlei Machado.
Tito Branco.
Valter Rosa de Lima.
Vilmar da Silva Mattos.
Wilson Guedes.
Após alguns meses de fundação a diretoria executiva
ficou formada por:
Presidente: Airton Guedes “Pingo”.
Vice-Presidente: Adilson Guedes.
Tesoureiro: João Maria de Lima.
Secretário: Vilmar Mattos “Zica”.
Diretor de Patrimônio: Nilson Guedes “Gordo”.
Esta equipe dirigiu os trabalhos até 82.
Em 81 já tínhamos uma boa bateria e muitos aliados para
a montagem da escola. Mas a diretoria avaliou que estávamos
carentes financeiramente e em outros detalhes para desfilar como escola
de samba e decidiu desfilar mais uma vez como banda, mas com estrutura
de escola como se fosse um ensaio para o próximo ano.
Em 1982 a Diretoria ficou assim formada:
Presidente: Airton Guedes.
Vice-Presidente: Adilson Guedes.
Tesoureiro: Vilmar Mattos.
Secretária: Jussara Dias Pereira.
Diretor de Patrimônio: Nilson Guedes.
Então desfilamos no terceiro grupo do carnaval de Porto Alegre,
com o Tema Esplendor Amazônico de criação do “Pingo”,
Samba Enredo de Luiz Carlos Curi “O Aimoré”, o
Carnavalesco foi Marco Antonio Pires, os Alegoristas: Wilson Guedes
e Jarbas G. de Oliveira. Ano que conquistamos o terceiro lugar, a
colocação não agradou a muitos de nós,
mas foi de uma importância muito significativa, porque tivemos
de ter a humildade de reconhecer que os vencedores se apresentaram
melhor e se isso tinha acontecido o problema era nosso, só
restava aplaudir e estudarmos os nossos defeitos e as virtudes dos
vencedores.
Já este ano saímos com a Locomotiva como símbolo
da escola, criado pelo “Pingo”, o significado da mesma
era de sermos uma máquina de fazer carnaval e seus vagões
seriam as alas e demais departamentos da mesma.
A bandeira da Vila criada pelo Adilson Guedes e mais tarde aperfeiçoada
pelo Maia Conceição que não descaracterizou a
idéia da primeira, com a qual não se discutiu o valor
das alterações. Já com as cortes Azul, Vermelho
e Banco.
Fonte:
Adilson Guedes, Airton Vargas e Silva e Nilson Guedes.